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Relato de Vivência Psicodramática Realizada com uma Turma de Psicologia

14/03/2013 22:09

YOZO, R. Y. K. 100 Jogos Para Grupos: uma abordagem psicodramática para empresas, escolas e clínicas. São Paulo: Ágora, 1996.

 

 

            O Jogo Dramático, no psicodrama, apresenta diversas formas e variações de interpretação. É possível encontrar, nos livros e escritos de psicodrama, duas facetas: uma direcionada ao âmbito terapêutico e a outra, ao aplicado. O propósito é ampliar a conceituação e o uso dos jogos dentro do último âmbito. No entanto, encontramos alguns teóricos que transitam entre ambos.

            Conforme Rodrigues (1994, p. 3-4), “um jogo é dramático porque o prazer, a diversão, se origina fundamentalmente da representação. Ainda que o jogo possa envolver competição, acaso ou habilidade, o foco do prazer do jogo não está em competir, ter sorte ou acertar”. A autora continua, “o jogo dramático, como qualquer jogo, tem o objetivo de brincar, expandir, relaxar e obter prazer”.

Enquanto isso, Castanho (...), afirma:

 

 

[...] o jogo dramático não é apenas aquele que é dramatizado. Não consideramos uma brincadeira infantil de fadas ou de super-heróis como jogo dramático, embora seja jogo, haja dramatização e envolvimento com a fantasia. É preciso haver a dramatização e o compromisso dos jogadores em viver algo que os comove, que os arrebata, que os envolve num conflito. (CASTANHO, [s.l.], p. 314.)

 

 

            Ademais, outra característica essencial, para o Diretor e/ou para os participantes, é o conceito de espontaneidade proposto por Moreno, que seria “a resposta de um indivíduo ante uma situação nova e a nova resposta e uma situação velha” (..., p. 101). Pois, neste sentido, o homem a “bloqueia”, em decorrência das regras e normas sociais (que condicionam o pensamento). Desta forma, perde-se a possibilidade de criar, através dos modelos preestabelecidos, que são apresentados ao longo da vida.

            O Jogo Dramático busca levar o indivíduo a relaxar, a se soltar, liberando sua criatividade e espontaneidade. Isto é, “um meio de desentorpecer o corpo e a mente dos condicionamentos da vida atual” (BOAL, 1983, p. [s.l.].), de modo a não permitir a massificação dentro das chamadas conservas culturais. Nas instituições em geral, o primeiro contato acaba gerando um campo tenso. Dentre os objetivos, está a criação de um campo relaxado, para desenvolver uma liberdade de ação e de atuação dos indivíduos, possibilitando então, o resgate da sua espontaneidade criativa.

            Na utilização do Jogo Dramático, podemos utilizar a comunicação não-verbal, assim, propiciando uma leitura mais precisa do indivíduo. Algo que se contrapõe, nesta perspectiva, a diferença entre sua comunicação digital e analógica, entre seu falar e seu agir. Contudo, é necessário que haja uma fusão, uma complementaridade coesa nesta díade.

            O jogo dramático trata-se de uma atividade voluntária, tem regras específicas e absolutas, pois é preciso que haja aceitação de todos os participantes para a  realização, com um tempo delimitado, de acordo com o que é proposto pelo diretor. Há um espaço que é o próprio contexto psicodramático, cujo faz com que os participantes se concentrem no jogo, desprendendo-se da vida real. Além disso, tem um objetivo específico, buscando identificar e resolver conflitos.  ( YOZO, 1996)

            As etapas do jogo psicodramático compreendem os seguintes critérios:

 

a - Aquecimento: Há duas fases: aquecimento inespecífico e específico.

1. Aquecimento inespecífico: inicia-se com o primeiro contato do Diretor com o grupo até a escolha do jogo Dramático e a apresentação de suas regras.

2- Aquecimento específico: ocorre dentro do contexto dramático, onde os participantes são preparados para a construção dos papéis. Em alguns Jogos Dramáticos, as regras podem ser caracterizadas nesta fase.

b- Dramatização: é o jogo dramático propriamente dito. É nesta etapa que, geralmente, o Diretor pode identificar o conflito.

c- Comentários: são os comentários feitos pelos participantes, após o jogo. O conflito também pode ser expresso nesta etapa.

d- Processamento: é a releitura da Dramatização e dos Comentários, processada pelo Ego- Auxiliar e Diretor, direcionando-os aos seus objetivos.

e- Processamento teórico: geralmente utilizado na Empresa e na Escola, enquanto método psicodramático, para a introdução de conceitos ou objetivos propostos. (YOZO, 1996, P.22)

 

 

            Na vivência psicodramática teve como objetivo o Reconhecimento do Tu, onde o método de aquecimento Inespecífico utilizado foi  a dinâmica do Siga o Mestre, onde um participante inicia com algum movimento, e os outros imitam. No Específico fizemos a atividade “O feitiço virou contra o feiticeiro”, em que consistia em escolher um participante do grupo, descrevendo seu nome juntamente com o “castigo”, e então ao recolher os papéis eram abertos pelo Diretor a pessoa que descreveu o castigo para o outro, acabava por cumprir o que desejou.

            Na Dramatização, foi aplicado o jogo IMAGEM – AÇÃO ( imitar o outro) na qual foi escrito o nome de um participante em cada um dos papéis e sorteado, assim  cada indivíduo teve que imitar o colega que estava descrito no mesmo e os outros buscar  reconhecê-lo.

            Ao finalizarmos esta vivência, fizemos um compartilhamento com o grupo, em que todos comentaram como se sentiram durante o processo psicodramático, tendo em vista a forma que cada um vivencio este momento. Tendo em vista que essa vivencia nos proporcionou um espaço para refletir à respeito das relações que estabelecemos com o outro, compreendendo este de maneira diferente.

            No inicio da vivência, nos sentimos um tanto preocupados e ansiosos em função de que seríamos nós quem direcionaria o grupo, porém, como houve o auxílio da professora de sala no decorrer das atividades psicodramáticas, nos encorajou e permitiu com que tívessemos uma maior segurança em relação ao processo de condução do grupo dos participantes. 


(Relato de Vivência Psicodramática elaborado em 2013, UNOCHAPECÓ, São Lourenço do Oeste).

Produção Textual acerca das Gravuras de Quino

14/03/2013 21:49

 

            O mundo capitalista e globalizado atual vive em uma crise. Ou, crises. Não, tão-somente, econômica. Mas, também, no âmbito societal, da sociedade, em geral. Bem como as relações humanas e o ‘descarte’ destas. São problemas naturalizados a precariedade da educação, da saúde, do meio ambiente e a desigualdade social dentro de uma mesma pátria.

 

            O ser humano é, realmente, vaidoso. Preocupa-se, por demais, com o ter. Esquece, comumente, o ser. Ter o carro novo do ano, a roupa diferente que está na moda, o celular multifuncional que está em lançamento e grandes fardos de grana, ao bel-prazer. Não há imaginação, sonhos, no sentido de transformação através das faculdades criativas do ser. O que predomina é o querer. O querer sempre é antecessivo ao ter. Nunca se satisfaz facilmente.

 

            No Brasil, por exemplo, há casas com garagens para, em média, de três à quatro carros. Cada membro da família tem seu próprio automóvel. Sai, cada qual, para o seu trabalho, para o seu lazer, para a sua viagem. E o outro? Experimenta telefonar para saber! Ou, melhor, nem liga! As condições de sociabilidade estão enfraquecendo cada vez mais. Até mesmo, a um individualismo.

 

            Há exigências exacerbadas, quando o papo é capitalismo. Enquanto uma parcela das pessoas vivem sob condições precárias e baixíssimas de vida, a outra parcela moram em casas luxuosas, à compatibilidade hollywoodiana. E, além disso, com um séquito de serviçais à disposição... faxineira, cozinheira, jardineiro, cabeleireiro, manicure, etc. A desigualdade financeira e social é, extremamente, grande e preocupante.

 

            Vivemos em um cenário de profunda anarquia. Nem sempre física. Mas, enfaticamente civilizatória, da forma de organização social, amplamente falando, como um todo. As instituições públicas e/ou sociais, responsáveis por gerir e estabelecer ordem, estão prestes “à cair”, pouco a pouco. Os padrões atuais de vida mudaram. São outros.

 

            A família ganhou uma nova configuração social e a autonomia de cada um de seus membros se modificou. Uma família clássica constituía-se de pai, mãe e filhos. Uma família de configurações modernas compreende um conjunto de pessoas com laços de vínculo, geralmente sob o mesmo teto. Ou seja: já não importa se somos ou não, da mesma consanguinidade, descendente. Semelhantemente, também ocorre com outras instituições sociais.

 

            As crises políticas parecem entristecer as pessoas. Há um gosto, imbuído na política, de transgressão dos bons costumes e do tradicionalismo. Incrivelmente, partidos políticos existem em grande número. Ao ponto que seria complicado e trabalhoso, contatá-los e listá-los todos. Mesmo faltando pontualidade, planejamento e ideias substancialmente precisas de democracia, por parte de seus precursores. Isso para a concretização, do ‘poder do povo’ e os recursos públicos, na prática ativa e adequada às necessidades.

 

            O atual sistema educacional é falho. Este sistema de educação, que temos instalado na contemporaneidade, não está transformando as pessoas. Nem, sequer, como cidadãs, como seres que sentem, pensam e agem conscientemente no mundo. O modelo faz é lapidar o ser humano e embutir determinado conformismo para o mercado de trabalho e para os interesses da alta sociedade. Não para o bom desenvolvimento das potencialidades do sujeito.

 

            A educação, com o passar do tempo, tornou-se mais fragmentável. Os ramos do saber e profissão buscam se especializar, cada vez mais, em “sua área”. De modo que, se fôssemos à um hospital, encontraríamos um médico para cada parte minúscula do corpo. A unidade do conhecimento está sendo deixado de lado.

 

            Os especialistas sabem cada vez mais, de menos coisas. Isso não significa ser necessariamente algo negativo. Muito pelo contrário. Mas, essa tão rápida evolução do cotidiano atual é absurda. Muitas vezes não temos, sequer, condições adequadas de acompanhar tal processo. Pois, é preciso – não somente evoluir – mas também poder assimilar e estruturar psiquicamente este conhecimento. Efetivando-o.

 

            Os problemas ambientais, provocados pelo homem, também são degradantes. Há uma enorme necessidade, por parte do capital, de transformar a fauna e a flora, de desmatar florestas, abater espécies de bichos já ameaçados à extinção e soltar gases tóxicos na atmosfera. E, ainda na ótica do capitalismo, tudo isso e mais ainda, é “necessário”. Talvez, com isso, se as pessoas se conscientizassem em não consumir tanto, esbanjadamente, os recursos naturais este problema diminuiria, quantitativamente.

 

            Nossa sociedade contemporânea utiliza uma quantidade enlouquecedora de remédios. A educação tem um papel importante neste sentido e, até mesmo, libertador. Na transformação da dura realidade que nos cerca. Assim como a educação pode e deve reconstituir processualmente os laços sociais e condições melhores de sociabilidade, diante desta sociedade abusivamente (auto) medicalizada. Tal como por meio da conscientização dos indivíduos.

 

            Nem todas as pessoas têm possibilidades de estudos superiores. As pessoas de alta renda geralmente começam a trabalhar somente depois dos vinte e cinco anos de idade. As de baixa renda são obrigadas a iniciarem a trabalhar cerca de quinze anos de idade. As instituições de economia, naturalmente, buscam não proporcionar trabalho às pessoas de baixa renda e, nem mesmo também, a educação. Fator injusto, este. Um indivíduo de baixa renda, geralmente só estuda quando tem trabalho. Existe democracia? Claro que não. Contanto, dever-se-ia haver igualdade. Bem como de oportunidades.

 

            Esse é o Estado somente de ricos e ‘burgueses’. O Estado, precisamente brasileiro, está dominado pelas grandes empresas e corporações internacionais. Para pensarmos em educação, precisamos antes, pensar nos fatores que desencadeiam o analfabetismo no Brasil e as não-possibilidades que dificultam um sujeito de ter acesso à educação superior. Não basta somente o Estado doar bolsas de inúmeros benefícios escolares e/ou acadêmicos. Ademais, é necessário o Estado pensar também na saúde, na habitação ou moradia, na alimentação, no lazer e em outras questões que promovam condições favoráveis e bem-estar para o sujeito.


(Produção Textual elaborada em 2013, UNCHAPECÓ, São Lourenço do Oeste).

Visita a um Assentamento do Movimento Sem-Terra (MST) de São Miguel do Oeste (SC)

14/03/2013 20:46

            Dia 29 de Setembro, a turma de Psicologia do sexto período do campus de São Lourenço do Oeste juntamente com a turma de Psicologia, também do sexto período, de Chapecó, da Universidade Comunitária da Região de Chapecó (UNOCHAPECÓ), esteve fazendo uma visita a um assentamento do Movimento Sem-Terra (MST), em São Miguel do Oeste, Santa Catarina, onde foi entrevistado um membro principal do movimento, S.

 

            Em entrevista e durante o momento em que estivemos em contato com o entrevistado, obtivemos diversas informações a respeito do movimento, a forma de organização e a história do assentamento. Inicialmente, os primeiros assentamentos deram início com a Igreja Católica, impulsionando-os. A ocupação das terras foi realizada na região da cidade de Abelardo Luz, Santa Catarina, à região de Bandeirantes, entre Argentina e São Miguel do Oeste, no ano de 1985, com uma quantidade de 12 Hectares de terra a cada família do movimento.

 

            As primeiras atividades, em função da necessidade de uma renda mensal e que dê possibilidades de sobrevivência, e que permanecem até hoje, são a produção de leite, a produção de suínos e a agroindústria, de forma a produzir, industrializar e comercializar produtos. Conforme fala S., no início tem sido complicado, principalmente devido à concorrência econômica, onde “a sobrevivência consistia as meias”.

 

            Ainda segundo S., ele busca distinguir entre invasão e assentamento, conceituando o acampamento como uma atividade mais fechada, isolada e desrespeitosa, realizada em um espaço em que já existem pessoas habitando; enquanto o assentamento, uma atividade mais coletiva, de ajuda mútua e/ou governamental, acompanhado de um planejamento de vida, e em um espaço de terra em que não há ocupação.

 

            Nesta perspectiva, S. afirma que, o Movimento Sem-Terra da região de Abelardo Luz à região de Bandeirantes, tem hoje “uma conjuntura a nível nacional”, porém há grandes dificuldades de fazer com que os jovens permaneçam junto ao movimento e à família, pelo fato de que muitos deles preferem sair de casa e ir para os centros urbanos e cidades maiores, buscando uma independência familiar. Existem filhos de assentados ou acampados que chegaram a se tornar advogados.

 

            Além disso, para tudo o que se busca realizar, há um planejamento anterior, em coletivo, onde todos trabalham em conjunto. Quando há a necessidade de algo do trabalho público, é conversado com o município o qual eles pertencem, e caso este não o atenda conforme previsto e na data proposta, é realizada uma reivindicação pública ou, até mesmo, uma ocupação. Também, costuma-se, aos finais de ano, realizar-se uma assembleia entre os integrantes do Movimento Sem-Terra, cujo lucro obtido anualmente que sobra, é dividido entre seus membros.

 

            S. fala que “a mídia é um grande estorvo. [...] Fazendo trabalho de distorção”, pois publicamente o Movimento Sem-Terra é mal-visto na sociedade em geral, por diversos fatores, muitos dos quais não passam de estereótipos e deturpações criadas ao redor do mesmo. Ao indagar S. sobre a Reforma Agrária, ele prossegue falando que a Reforma Agrária “trata-se, não somente de Reforma Agrária, no sentido de ocupação de terra, mas também em educação, saúde, etc”.

 

            No entanto, a educação, generalizando, dentro dos assentamentos se constitui e é organizada pelos líderes de assentamento a partir de professores próprios do movimento, sem muita formação ou graduação precisa, ou então por meio de professores especializados, que acabam por vir de outros acampamentos ou assentamentos do Movimento Sem-Terra.

 

            Atualmente, a agroindústria, que é chamada de Terra Viva da Cooperoeste, constitui-se de 24 famílias, que moram em agrovilas, de 12 funcionários contratados e cinco associados, dos quais alguns são filhos de assentados. Esta agroindústria tem se destacado em primeiro lugar de arrecadação de impostos, gerando emprego e movimentação econômica de São Miguel do Oeste e região, recolhendo leite de mais de 13 mil famílias, de Santa Catarina e Paraná.

 

            A Cooperoeste é uma cooperativa do Movimento Sem-Terra, que atua juntamente com um conjunto organizado de agroindústrias, criadas pelo próprio movimento, havendo duas filiais de Abelardo Luz (o Mercado & Agropecuária e o Posto de Refrigeramento), outras duas filiais em Nova Laranjeira – Paraná (o Posto de Refrigeramento e a Agropecuária Terra Viva), e outras duas filiais em São Miguel do Oeste (Agropecuária Cooperoeste) e em São José do Cedro (a Indústria de Conserva).

 

            Contanto, o trabalho operário da agroindústria Cooperoeste consiste em 6 horas diárias, consistindo em 36 horas semanais, com uma parada diária de intervalo de 15 minutos, onde cada funcionário faz seu momento de lanche. O funcionário pode trazer de casa ou comprar em um espaço de venda, do local da indústria. Também, há semanas dedicadas à prevenção de acidentes, à odontologia e demais atividades afins, com planejamento para implantação do ensino de culinária e de estética, nas próprias dependências da empresa.

 

            Na agroindústria, não há psicóloga. Grande parte das atividades desempenhadas é de acordo com as condições necessárias para prevenir de possíveis riscos à saúde do trabalhador, contando com uma equipe de funcionários da empresa em que recebem treinamento para passar orientações e indicações aos demais trabalhadores, embora também ocorram acidentes de trabalho, principalmente de cortes nos dedos, mão, batida de costas e/ou problemas de coluna.

 

            A maior parte dos trabalhadores da empresa ou agroindústria constitui-se de mulheres, geralmente membros do próprio movimento.  A cooperativa, também, busca dar assistência veterinária aos produtores que fazem parte. O transporte de deslocamento até a empresa, ida e volta, para os funcionários é gratuito, e àqueles que vêm de carro próprio a empresa contribui com uma ajuda em relação ao custo da gasolina. Ademais, os objetivos da agroindústria estão voltados à união do Movimento Sem-Terra e à coletividade.

 


Aspectos Teóricos

 

            O Movimento Sem-Terra (MST) caracteriza-se como movimento social por estar voltado à luta de questões e fenômenos sociais, históricos, políticos e econômicos, com o objetivo de defender os interesses coletivos de um grupo de pessoas cujo seu caráter é minoritário e, até mesmo, excluído da sociedade civil, ou com pouco espaço de expressão social.  Interesses esses, neste caso, são a Reforma Agrária no Brasil e a divisão justa de direito à propriedade de terra, bem como de grandes latifundiários que, de alguma forma, não são ocupadas.

 

            O surgimento do Movimento Sem-Terra, segundo Leite e Dimenstein (2010) pode ser contextualizado em três pontos principais: o primeiro, relativo às transformações de modernização da agricultura, promovidas pelo capitalismo na década de 1970; o segundo, refere-se ao desenvolvimento de uma prática reflexiva, encabeçada pela Comissão Pastoral da Terra, sobre as condições sociais e a possibilidade de trabalhadores ‘vítimas da modernização’ se organizarem social e financeiramente; e o terceiro, em relação à abertura política, assumida após a ditadura militar.

 

           De acordo como fala Silva (2004), o Movimento Sem-Terra é um movimento que atua em rede, a qual têm se expandido por quase todas as regiões do Brasil, onde com exceção dos estados da Amazônia, Acre e Amapá, que o movimento não há representações. Porém, em maior parte das regiões, o Movimento Sem-Terra está vinculado com instituições, outros movimentos, partidos políticos, Igrejas, organizações não-governamentais e entidades internacionais.

 

            Silva (2004), teoriza que com o avanço do desenvolvimento do Movimento Sem-Terra já é altamente visíveis diversas reivindicações de ampliação e integração do movimento com elementos e fenômenos que vão além dos interesses próprios da luta do movimento em si, incluindo questões como por exemplo, a agroecologia, biodiversidade, saúde, educação, desenvolvimento sustentável, luta em relação à causas ambientais, etc. Ou seja, há toda uma preocupação, não somente com a Reforma Agrária e a propriedade, mas também com condições apropriadas de vida e sustentabilidade.

 

            Assim, o Movimento Sem-Terra (MST) tem criado uma identidade coletiva, sem sombras de dúvidas, devido a união do movimento com seus membros, de modo solidário e a partir dos referenciais de valores culturais, sociais e políticos, em prol de interesses coletivos e comuns, lutando pelos direitos sociais entre todos os seus integrantes, bem como em benefício de uma sociedade socialista, sustentável e baseada nos valores de ajuda mútua enquanto agrupamento social organizado.

 

 

Considerações Finais

 

            Ressalta-se que a visita ao Movimento Sem-Terra (MST) têm nos proporcionado uma expansão da concepção que detínhamos sobre o mesmo. Deve-se lembrar, sobretudo, a importância que o Movimento Sem-Terra tem na sociedade – não somente na geração de emprego e lucro financeiro, mas principalmente na chance em que seus membros obtiveram de se inserir socialmente através da antiga proposta da Reforma Agrária e no trabalho em equipe conjunta – e, principalmente, a forma sustentável de sobrevivência encontrada e a maneira organizada de convivência social que o movimento se pauta e busca desenvolver dentro deste enquanto grupo social. Neste sentido, a visita ao MST nos possibilitou o desenvolvimento de outra compreensão acerca do movimento e que, com certeza, irá contribuir em nosso desenvolvimento acadêmico em Psicologia.

Texto de Tópicos Frasais-Chave com Elementos Relacionadores a Partir do Filme “Central do Brasil”

14/03/2013 20:28

BERNSTEIN, Marcos; CARNEIRO, João E. Central do Brasil (Dir. Walter Salles). Drama. Brasil: 1h13min, Europa Filmes, 1998.

 

 

            Central do Brasil é um espaço que retrata a diversidade brasileira. Ele enfatiza, principalmente, as baixas condições de vida em um bairro de pobreza, com a presença da miséria em decorrência do êxodo rural, a relevância do tráfico e o roubo, expresso como uma forma de tentativa para sobreviver, o desemprego e os métodos de exploração social. Questões essas, que estão presente significativamente nas classes sociais de baixo nível financeiro e também “cultural” (de determinada forma), limitando-se – tão-somente – àquilo que é de costume, comum ou já instituído.

 

            Dora e Irene são amigas, mas são pessoas com características distintas. Dora não se preocupa com a sua responsabilidade em relação ao escrever as cartas, e enviá-las devida e apropriadamente. Enquanto isso, Irene busca dar ênfase ao respeito ao ser humano, valorizando-o ao invés de tratá-lo como produto a ser comercializado, algo que Dora buscou realizar com naturalidade e com o uso da ‘esperteza’, bem como o rasgar das cartas, em prol de uma causa egocêntrica. Neste sentido, Irene apresentava uma visão mais humanizada, madura e consciente sobre a realidade, em que refere-se no âmbito social.

 

            O menino Josué demonstra o quanto à família é determinante para a formação da personalidade da criança. Ele, inclusive, acaba por querer que sua mãe envie uma carta para seu pai, de forma que um dia o garoto possa visitar o mesmo, que nunca conheceu. Porém, em uma das idas ao cartório, a mãe de Josué foi atropelada. Foi, somente mais tarde, quando Dora – a professora aposentada que escreve cartas – adotou-o e, após um tempo, foi juntamente com o garoto, à procura do pai de Josué, que o sonho tornou-se (à beira do) real.

 

            Na obra também está demonstrado o apego à religiosidade pelo povo mais humilde, principalmente o nordestino. Com a prática de procissões, rezas, meditações e contemplações, seguidas por uma multidão de pessoas ou fiéis. Isso deve-se ao fato do nível de pobreza, de conhecimento e de bagagem sócio-cultural. Não quer dizer que, se estas pessoas estivessem dentro de uma classe social de alto nível econômico, não teriam religião ou não seriam religiosas; Mas que a forma como essas pessoas mais humildes vivenciam a religião é diferente da maneira como as pessoas de condições financeiras mais altas encaram.

 

            Analfabetismo, migração, desamparo ao nordestino são apenas algumas características da denúncia apresentada no filme. O êxodo rural, da região nordeste para o sudeste, expressado no filme, é algo marcante e tocante. A região do nordeste em que habita o pai de Josué é um local extremamente pobre, seco e de baixíssimas condições de sustento agrícola, já que trata-se de uma região muito pouco desenvolvida, em relação à urbanização e em termos tecnológicos. O mais chocante é a não participação do Estado em dar apoio ou promover condições de vida melhores. Consequentemente, isso reflete da mesma forma nos aspectos sociais, de sociabilidade, de cultura e de conhecimento, do humano que vive em um contexto de pobreza. No entanto, ao chegar a determinado local da região sudeste, encontra-se – além da pobreza – o desenvolvimento organizado do tráfico, do assalto, do roubo e de demais criminalidades comuns de cidades maiores.

 

            Dora e Josué em nada se parecem, pois pertencem a mundos diferentes. Ambos apresentam comportamentos ambíguos entre si. Josué, com desejo de que a carta fosse escrita e entregue o quanto antes, ficava intrigado com Dora ao observar que ela rasgava e engavetava cartas, incluindo a carta dele e de sua mãe. Foi aí que, no momento em que Dora adotou-o, Josué encontrou uma carta dele ainda engavetada; Isso contribuiu grandemente para a forjante e dualista relação que ambos havia. Além disso, Dora pensou em “vender” o menino e, com o dinheiro que havia conseguido, comprou uma televisão. Embora, posteriormente, resolveu por raptar Josué e trazê-lo para a sua casa novamente, proporcionando o que fosse satisfatória ou regularmente necessário.

 

            Josué e Dora: um relacionamento com apego e separação. Mesmo apresentando caráteres diferentes e de contrariedade relacional a todo o momento, Josué e Dora continuavam juntos. Às vezes, havia o movimento de separação, mas por eventualidades diversas voltavam a conviver juntos, de modo que havia entre Josué e Dora relações transferenciais, havendo determinadas identificações. Ademais, por fim, quando Dora pensou que já havia feito sua parte de amparo e proteção a Josué, até perto de seus irmãos (e seu pai), deixando-o e seguindo para a viagem, rumo à sua própria casa.

 

            Durante todo o filme, os autores tiveram a preocupação em demonstrar contextos de vida da população menos favorecida economicamente: A falta, e/ou necessidades, de condições apropriadas e dignas de vida em locais diferentes, mas que há a presença comum de um fator de risco – a pobreza. Ela existe em diversos contextos e o filme buscou explorar a realidade do nordeste, que a caracteriza principalmente pela seca e pela falta de recursos e apoio governamentais, e a realidade do sudeste, onde a pobreza se manifesta pela desigualdade, de maneira que as classes sociais baixas se constituem pelas “favelas” e pelos bairros periféricos, os quais originam-se os mais diversos tipos de criminalidades. Contudo, essas consequências são resultantes desta necessidade de sobrevivência, em um espaço em que a miséria é acentuada e as condições econômicas são precárias.

 

(Texto elaborado em 2013, UNOCHAPECÓ, São Lourenço do Oeste).

Resenha de "O Curso da Terapia: fases inicial, intermediária e final da Psicoterapia Analítica Funcional"

19/06/2012 21:01

TSAI, Mavis; KANTER, Jonathan W; LANDES, Sara J; NEWRING, Reo W; & KOHLENBERG, Robert J. O Curso da Terapia: Fases inicial, intermediária e final da FAP (Funcional Analytic Psychotherapy). Estados Unidos da América: 2009.

 

            Cada fase da Psicoterapia Analítica Funcional tem distinção entre seus pontos focais. No início da terapia, os terapeutas podem explorar qual é a forma comumente pela qual o cliente inicia um novo relacionamento, como ocorre a relação com sua maneira de começar o processo terapêutico e o que pode-se realizar para contribuir em uma boa experiência terapêutica.

            O trabalho crucial ocorre na fase intermediária da terapia, período pelo qual o cliente se depara com questões emergentes de sua vida cotidiana e seus relacionamentos. Na fase final da terapia, pode vir a tona sentimentos e memórias de mudanças e perdas anteriores, contanto trata-se de um momento de consolidação dos ganhos.

            O processo de duração da terapia se estende dependendo das condições dos problemas apresentados pelo cliente e da possibilidade de atendimento frequente, no espaço e contexto que este se encontra.

            Conforme algumas pesquisas, a Psicoterapia Analítica Funcional ou a intensificação da terapia com a Psicologia Analítica Funcional, a duração do processo terapêutico é aproximadamente de 16 à 20 sessões. Inexiste uma maneira absoluta para conduzir a Psicoterapia Analítica Funcional.

            Deve-se estabelecer um primeiro contato via telefônico com o cliente, bem como sobre o que este busca na terapia, sua opinião sobre a Psicoterapia Analítica Funcional e suas reações e sentimentos em relação a primeira consulta. Assim, pode ser definido um cenário para que um intenso processo terapêutico se inicie.

            É recomendável que os clientes da Psicoterapia Analítica Funcional assinem um termo de consentimento esclarecido e adentrem conscientemente na relação. Também é indicado, geralmente, passar um apanhado descritivo ao cliente que explique a forma de fundamentação da Psicoterapia Analítica Funcional, antes de dar início à terapia.

            No início deve-se avaliar e realizar formulação do caso e, então, o terapeuta se estabelecer como um reforçador positivo, iniciando um relacionamento autêntico e relevante.

            É interessante iniciar várias tarefas na primeira sessão e criar segurança, confiança, esperança, empatia adequada, cordialidade, escuta reflexiva, honestidade, ser verdadeiro e consistente, de constância, reconhecimento alheio, ter boas intenções, cuidado, reverência; para que o cliente possa se sentir adequadamente bem no processo e acreditar na sua potencialidade de mudança.

            Os terapeutas comportamentais são uma espécie de contingências de reforço generalizadas, para os comportamentos que devem ocorrer na terapia e que facilita seu desenvolvimento. Estão inclusos comportamentos, como: pontualidade de horário, falar informações pessoais importantes, dar atenção e resposta adequada às questões, estar envolvido na sessão e demonstrar preocupação e carinho.

            Além disso, os terapeutas da Psicoterapia Analítica Funcional devem encorajar o cliente a fazer perguntas sobre o terapeuta, a expressar as suas impressões e reações pessoais em relação ao terapeuta e seus sentimentos atrelados ao compromisso terapêutico.

            Deve-se também, não enaltecer excessivamente as expectativas do cliente e a eficácia do tratamento psicoterápico, validando seus pontos fortes e as dificuldades que o cliente têm que superar, acreditando no possível para ele e suas próprias forças e condições, sendo algo extremamente útil declarações positivas e reforços.

            Poucos são os clientes de terapia que se interessam em criar uma relação afetiva com o terapeuta, mas na Psicoterapia Analítica Funcional isso é concomitantemente necessário para, com o tempo, desenvolver uma relação significativa.

            Um terapeuta da Psicoterapia Analítica Funcional pode também usar o “Questionário de Início de Terapia”, para avaliar questões relativas à similitude da relação cliente-terapeuta com outros relacionamentos cotidianos do cliente.

            Na primeira fase da terapia, o cliente começa a fornecer semanalmente feedbacks escritos, utilizando o “Formulário de Ligação entre Sessões”, onde aborda questões, por exemplo, de como o cliente se sente em seu vínculo com o terapeuta, o que foi útil ou não na sessão anterior, o que está relutante a falar e quais assuntos que aparecem nas sessões que são semelhantes aos problemas cotidianos.

            Através da utilização dos questionários “Experiências de Proximidade na Relação Terapêutica FAP” e “Relatório Terapeuta-Cliente na Sessão sobre Relacionamentos” é possível obter uma avaliação mais profunda de apego e proximidade.

            Já, na sessão 3 ou 4, o “Questionário de Início de Terapia” deve ser preenchido. A formulação do caso é apresentada ao cliente para feedback, no final da fase inicial da terapia, entre 5 à 8 sessões.

            A formulação do caso deve evoluir a medida que o cliente melhora; esse processo é fluido e cada vez mais condições de melhoria devem ser incentivadas e reforçadas pelo terapeuta.

            Ao reforçar as respostas do cliente adquiridas no início do tratamento, o terapeuta tenta forçar intermitentemente os comportamentos necessários no tratamento terapêutico, mas não suficientes para transformações efetivas ou mudanças.

            Neste mesmo período da terapia, os terapeutas se focam, em maior parte, na função do comportamento do cliente e do terapeuta, e também no aqui e agora, no impacto das respostas do cliente e do comportamento do terapeuta.

            Questionários como: “Questões Típicas da FAP”, “Registro de Risco Emocional” e “Questionário para Fase Intermediária da Terapia”, podem ajudar a trazer no cliente pensamentos e sentimentos sobre o relacionamento terapêutico.

            Algo típico da Psicoterapia Analítica Funcional é a esquiva e o papel central que esta pode exercer nas dificuldades do cliente. Quando o cliente não entra em contato com características da relação cliente-terapeuta, que reflete seus relacionamentos distante da terapia, então comumente surge a esquiva.

            Por meio da repetição da declaração de cuidado com o cliente, que funcionara como exposição, o terapeuta pode, de maneira gentil, bloquear. Muitos clientes que têm enfrentado dificuldades emocionais, estas por sua vez estão em problema com a intimidade, confiança e empatia.

            Na Psicoterapia Analítica Funcional a promoção e a resposta ao contato emocional profundo é, comumente, focar-se na experiência visceral direta. Neste sentido, o cliente é encorajado a vivenciar completamente sua esquiva, expondo para fora o que ele está sentindo e conforme a emoção aflorar.

            O reforçamento do contato terapeuta-cliente pode ser bem simples, contanto profundo, aceitando as experiências e dores do cliente, permitindo-o sentir seu apoio e tornando ampla a proximidade, sentida em resposta.

            No período final da terapia, a tendência é se tornar “difícil” tanto para o terapeuta quanto para o cliente, especialmente quando uma forte ligação terapêutica foi estabelecida. É necessário pontuar, quando próximo do fim, o número de sessões para discutir o final da psicoterapia, o qual varia muito, de acordo com a duração do tratamento.

            O término se dá a partir do momento que, em acordo, o terapeuta e o cliente concordarem que as metas desejadas foram alcançadas ou que o progresso suficiente tenha ocorrido, ajudando o cliente a construir um novo repertório para suas perdas significativas.

            Por fim, o formulário “Ferramentas para a Etapa Final da Terapia”, pode contribuir no processo de prover ajuda ao cliente e de consolidação de seus ganhos na terapia. Assim, o terapeuta pode enviar uma carta ao cliente, de final da terapia, onde esteja incluso seu progresso feito, considerações da terapia e palavras de esperança, desejos e conselhos.

 

 

(Resenha elaborada em 2012, UNOCHAPECÓ, São Lourenço do Oeste).

Teorias e Técnicas em Psicologia: um estudo de caso

19/06/2012 20:46

            Com base nas disciplinas estudadas durante este quinto semestre do curso de Psicologia, serão abordadas as teorias e técnicas psicológicas de cada uma das quatro abordagens, Terapia Sistêmica, Psicanálise, Fenomenologia e Cognitivo-Comportamental, conforme seus pontos de vista referente ao modo de visualizar o ser humano e seu método de condução da terapia, bem como a relação terapeuta-cliente, a utilidade dos instrumentos de avaliação psicológica e o diagnóstico, a maneira pela qual se lida com a Psicopatologia e questões a respeito da saúde e doença e a relação destas com o trabalho.

            A seguir, será abordado um caso clínico para, posteriormente, fazer leitura do mesmo pelas óticas, fundamentalmente, particulares de cada abordagem para que possamos obter entendimento das teorias e práticas, observar suas possíveis relações e possibilitar um diálogo entre as mesmas, levando em consideração nossa construção acadêmica e aprendizagem em psicologia.

 

Caso Clínico:

 

            A., 31 anos, casada, graduada em Administração, trabalha como auxiliar administrativo, têm andado nestes últimos tempos muito preocupada, angustiada, não consegue dormir e se sente comumente desconfortável. É sua primeira vez que vai à psicoterapia. Seu marido, P., trabalha em um departamento de roupas masculinas. A. tem dois filhos, um menino de sete anos e uma menina de cinco anos.

            Ao tocar o telefone de sua casa, A. já fica ansiosa pensando que é a sua mãe ou seus filhos telefonando com algum problema grave e ficando preocupada como se algo estivesse para ocorrer a cada momento, pelo fato de há algum tempo o pai dela ligava do hospital, quando sua mãe estava doente. Sua Mãe teve câncer quando ela, A., tinha quatorze anos.

            Desde sua infância, por ser a filha mais velha, tem ficado responsável por cuidar da casa e seus irmãos. Ela morava em interior e participava frequentemente da Igreja e da sua comunidade, e gostava de ajudar as pessoas, pois era algo importante segundo seu pai. Ela acreditava que por ser a filha mais velha, na família, era necessário cuidar “de tudo”, e ser responsável, compromissada, de forma a agradar todos. Afirmando-se que “se sentia bem” com isso, era extremamente voltada para a família para “não dar incômodos”, não saia para se divertir durante sua adolescência e nem mesmo havia namorados, com exceção de um único antes de seu marido.

            Neste sentido, A. conheceu o P., seu marido, quando estava na metade da faculdade. Ele, P., morava em uma região distante - Minas Gerais. O pai de A., assim como o pai de P., é mais “fechado”, em silencio, com um estilo familiar conservador. Quando o pai de A. soube do namoro com P., ele não aceitou, pensando que A. devia namorar com alguém que fosse da mesma comunidade em que vivia ela e sua família. Há dez anos, quando contou a seu pai, que ela iria se casar com P., ele – o pai de A. não se importou muito com ela, “Há! Então ta bom!” (SIC).

            A. conta que sempre “se deu bem com a mãe” de seu marido, mesmo havendo uma forma diferente de convivência familiar. O namoro de A. com P., seu esposo, foi de aproximadamente de quatro a cinco anos. Posteriormente, os dois cansaram-se e tiveram filhos. Logo em seguida, A. acabou por ter mais compromissos e responsabilidades, o que fez com que fosse necessário deixar o seu trabalho, de auxiliar administrativo.

            Com a vinda dos filhos, houve mais algumas preocupações. Em função de problemas de saúde do filho – asmas e alergias, A. acabou por sofrer mais. Há um ano, aproximadamente, A. voltou a trabalhar e sua carga horária compreende o dia inteiro. No entanto, reclama achando ser complicado pela quantidade de tarefas que ela tem para fazer ultimamente. A partir daí, A. começou a ficar cada vez menos alegre e deprimida.

            A. diz que gosta ajudar as pessoas, fazendo tudo o que lhe pedem. Não diz “não” para nada e tenta agradar a todos, principalmente dentro de seu trabalho. Além disso, A. toma dois remédios, um para ficar mais animada e outro para dormir. Entretanto, ela conta que não anda mais tomando este último remédio – para dormir, por achar que é “muito remédio” que está tomando.

            Outro fator da preocupação e desconforto de A. é com os seus filhos, com determinada angustia se vai “conseguir cuidar”, e com o seu trabalho, em função de seu chefe exigir bastante sua prestatividade. Ela fica preocupada ao imaginar o que poderia ocorrer com o filho se acontecesse um problema de asma durante o período em que ele está na escola ou por “não ser uma boa mãe” (SIC). Levando em consideração sua fala sobre a saída do filho durante a madrugada, em que este tem sido visto como se tivesse “quebrado as regras” ou fazendo “algo proibido”, coisa que não se podia fazer.

            Em relação à sua filha, comumente, deixa em uma ONG enquanto vai trabalhar. Também, A. tem preocupações com seu marido, P., por “não ser uma boa mulher” (SIC), que se talvez morresse não faria falta. Durante o momento que A. conta de sua relação com o marido ela tira e coloca novamente várias vezes sua aliança. Contanto, não tem muito tempo para passar junto com seu marido, P., mas pensa que tem “uma boa relação” com ele, assim é também com seus filhos, pois para ela há sempre muitas tarefas para fazer.

            Quando A. chega de seu trabalho ela vai direto “atacar à geladeira”, pegar algo para comer e, depois, toma algumas taças de vinho, afirma não beber em excesso ou ser alcoólatra. Seu peso está aumentando. Está engordando 10 quilos. Porém, depois de comer fica deprimida e em silêncio. Geralmente, acha melhor que seus amigos não venham a sua casa, por pensar que ela não é “uma boa cozinheira” (SIC) ou bela, linda, para sair com os amigos. Sente-se “feiosa” por sua gordura. Para A. a comida e o vinho “aliviam” seu sofrimento em relação aos problemas.

            Seu marido, P., não gosta muito de ir à casa dos pais de A., tal como pelo fato de seu irmão ser supostamente envolvido com drogas, o qual apresenta também problemas na escola. Segundo A., a geração de seu pai “não era muito de ajudar em casa” (SIC), e muitas vezes quando este chegava em casa ele chorava. Ela conta, ainda, que sua mãe e seu pai haviam uma relação boa (“se relacionavam bem” [SIC]).

            Agora, a mãe de A. já está em casa e em tratamento, mas atualmente “tá bem” (SIC). Sua mãe é muito religiosa. Como diz A.: pois ela “que sempre rezou” (SIC). Ela diz que acabou “... por desacreditar em Deus”. Questionando-se: “Quê Deus que é esse?”, demonstrando-se estar revoltada em sua crença religiosa. A. não sabe quem vai cuidar dela, porém ela busca cuidar de todo mundo. Alega que sempre foi preocupada em cuidar das outras pessoas. A preocupação e o desconforto de A. começaram há mais de um ano e têm aumentado com o adoecimento de sua mãe.

 

Explanação Teórica e a Ótica das Teorias e Técnicas Psicoterápicas:

 

            O ser humano demorou muitos séculos, ao longo do tempo, para entender as atitudes diferentes, os comportamentos estranhos, as dificuldades particulares de cada sujeito e os problemas psicológicos graves. Antes de conseguir encontrar uma compreensão adequadamente científica para estes fenômenos o homem tem construído concepções e práticas diversas, as quais comumente se distanciavam da realidade cotidiana. Foi somente no final do século XVIII e início do século XIX que tornaram-se efetivos determinados procedimentos auxiliados por práticas humanitárias para o cuidado devido de indivíduos que haviam algum transtorno ou problema psicológico. (WERLANG et al, 2010).

            Essas mudanças tornaram-se sucessivas, também, com melhorias da hospitalidade dos locais de abrigo. Como consequência, muito têm se preocupado com o estudo das diferenças individuais e do comportamento, em buscar observar e entendê-los tais processos como parte natural da condição humana. (Idem, Ibidem). Neste sentido, o Laboratório de Wundt, como ponto inicial da Psicologia moderna – pela mudança de experimentos fisiológicos por experimentos voltados a fenômenos mentais por meio do método da introspecção, tornou-se promotor dos eventos e acontecimentos que vieram posteriores. (GOMES, 2004).

            Surgiram, a partir daí, os testes psicológicos, cujos seus objetivos no início eram muito mais focados em medir as diferenças entre os indivíduos considerados “retardados”, enfaticamente a detecção de deficiências intelectuais e problemas comportamentais, cuja sua influência principal foi proveniente da medicina psiquiátrica. Em seguida, outro fator que se caracterizaram os testes psicológicos foi o desenvolvimento destes no âmbito da educação, possibilitando sua utilidade neste espaço em função da necessidade de avaliação psicológica. (ANASTASI & URBINA, 2000).

            A psicoterapia é uma forma de tratamento de suma importância para encarar os problemas da vida, e nisso está incluso os distúrbios psicossomáticos, os conflitos interpessoais, os transtornos patológicos. A psicoterapia busca proporcionar um espaço apropriado para o crescimento e desenvolvimento do cliente, bem como o estabelecimento de diálogos construtivos, mudar hábitos estereotipados de convivência, possibilitando a oportunidade de compreensão e transformação de padrões acirrados que estão impregnados nos próprios relacionamentos e maneiras interessantes para um entendimento mais amplo do processo do adoecimento. (BOCK, 1999).

            Os testes psicológicos é uma ferramenta exclusiva da psicologia, sendo essencialmente uma medida já padronizada e de tendências objetivas, de uma ‘amostra’ de determinado comportamento de um indivíduo, de modo que são realizadas observações sobre essa pequena amostra, cuidadosamente escolhida. O valor diagnóstico de um teste psicológico varia de acordo com o grau em que ele serve como indicador de um espaço amplo e significativo de comportamento, levando em consideração que nenhum teste psicológico pode realizar mais do que mensurar o comportamento. (Idem, ibidem).

            Entretanto, os testes não compreendem a totalidade da avaliação psicológica, pois esta última é um processo que vai além da utilização de testes, sendo possível, aliás, realizar avaliações psicológicas sem quaisquer usos de testes psicológicos. A principal função dos testes psicológicos é possibilitar informações e dados rápidos e/ou profundos, em um pequeno espaço de tempo, e contribuir para que suas indicações forneçam maior segurança na resposta às demandas necessárias da avaliação, propiciando credibilidade das conclusões em momentos mais delicados, tal como, por exemplo, quando trata-se de situações periciais. (WERLANG et al, 2010).

            De acordo com o Conselho Federal de Psicologia (2010):

 

 

A avaliação psicológica é um processo de construção de conhecimentos acerca de aspectos psicológicos, com a finalidade de produzir, orientar, monitorar e encaminhar ações e intervenções sobre a pessoa avaliada, e, portanto, requer cuidados no planejamento, na análise e na síntese dos resultados obtidos. (CFP, p. 16, 2010).

 

 

 

            É possível utilizar também, dentro de um processo de avaliação psicológica, uma variedade de testes e estratégias cujo objetivo seja efetuar uma avaliação intertestes das informações e dados obtidos, a começar de cada instrumento psicológico em particular, de modo a fornecer um melhor fundamento para referência psicológica. Esta maneira de avaliação inclui geralmente o uso da bateria de testes – um conjunto de instrumentos psicológicos, que deverá ser utilizados em determinados momentos e/ou circunstâncias. (CUNHA, 2000[b]).

            Os autores Cunha, Freitas e Raymundo (1993[a]) compreendem o psicodiagnóstico como sendo este:

 

 

um processo científico, limitado no tempo, que utiliza métodos e técnicas psicológicas, em nível individual ou não, entendendo à luz dos princípios teóricos, os problemas, identificando e avaliando aspectos específicos, classificando o caso e prevendo seu curso possível, para comunicar resultado. (CUNHA; FREITAS & RAYMUNDO, p. 5, 1993[a]).

 

 

            O processo de psicodiagnóstico constitui uma situação de papéis extremamente definidos, configurado por um contrato entre o cliente, que pede ajuda terapêutica, e o psicólogo, que se compromete em satisfazê-lo conforme as suas possibilidades. A duração do mesmo é limitada e objetiva obter uma descrição e compreensão, quanto mais profunda e completa possível, da personalidade total do cliente ou grupo familiar, buscando investigar alguns aspectos em particular, de acordo com a sintomatologia (e características de indicação), envolvendo questões do passado, presente e futuro da personalidade, utilizando-se de certas técnicas como a entrevista semi-dirigida, técnicas projetivas, entrevista de devolução. (OCAMPO & ARZENO, 2001).

            Conforme Cunha (2000[c]), o psicodiagnóstico é uma avaliação psicológica com propósitos clínicos que visa identificar capacidades e dificuldades no funcionamento psicológico, de haver ou não (traços de) uma psicopatologia. Posteriormente, o mesmo autor busca descrever, em tópicos, as partes da operacionalização do psicólogo que deve ser levado em consideração seus comportamentos específicos para a realização do diagnóstico, dentro de um modelo clínico, que são determinantes no processo. Embora possam variar na especificidade e na sua seriação, são eles:

 

 

a)    Determinar motivos do encaminhamento, queixas e outros problemas iniciais;

b)    Levantar dados de natureza psicológica, social, médica, profissional, e/ou escolar, etc., sobre o sujeito e pessoas significativas, solicitando eventualmente informações de fontes complementares;

c)    Colher dados sobre a história clínica e história pessoal, procurando reconhecer denominadores comuns com a situação atual, do ponto de vista psicopatológico e dinâmico;

d)    Realizar o exame do estado mental do paciente (exame subjetivo), eventualmente complementado por outras fontes (exame objetivo);

e)    Levantar hipóteses iniciais e definir os objetivos do exame;

f)     Estabelecer um plano de avaliação;

g)    Estabelecer um contato de trabalho com o sujeito ou responsável;

h)    Administrar testes e outros instrumentos psicológicos;

i)      Levantar dados quantitativos e qualitativos;

j)      Selecionar, organizar e integrar todos os dados significativos para os objetivos do exame, conforme o nível de inferência previsto, com os dados da história e características das circunstâncias atuais de vida do examinando;

k)    Comunicar resultados (entrevista devolutiva, relatório, laudo, parecer e outros informes), propondo soluções, se for o caso, em benefício do examinando;

l)     Encerrar o processo. (CUNHA, 2000[c]. p. 30).

 

 

            Além disso, são reconhecidos no processo de psicodiagnóstico os seguintes passos: o primeiro contato com o cliente, o qual pode ser presencial, por telefone ou ainda por intermédio de outra pessoa, e a entrevista inicial, a qual é semi-dirigida e o cliente é livre para expor seus problemas, começando por onde preferir e incluindo o que desejar; a aplicação de testes e técnicas projetivas, conforme a bateria previamente selecionada e ordenada segundo o caso, bem como o tempo em que o psicólogo deverá se dedicar ao estudo do material recolhido; o encerramento do processo – a entrevista de devolução oral de informações ao cliente e/ou a responsáveis; e o informe descritivo para o remetente, que o encaminhou o caso. (OCAMPO & ARZENO, 2001).

            Na entrevista inicial, de acordo com estes autores, o entrevistador intervém a fim de destacar alguns vetores, quando vir ao caso de o entrevistado não saber como começar ou continuar; pontuar situações de bloqueio ou paralisação em função de angústia para garantir o cumprimento das metas da entrevista; e perguntar e investigar aspectos da conduta do entrevistado, no que diz respeito a questões não referidas espontaneamente, em relação a lacunas ou possíveis contradições das informações do cliente. Recomenda-se começar com uma técnica diretiva no primeiro momento da entrevista, algo que se corresponda à apresentação mútua, o esclarecimento do enquadramento pelo psicólogo e o momento em que o cliente tem a oportunidade de expressar-se livremente.

            A começar do primeiro contanto com o cliente, ocorrem alguns fatos que mobilizam no psicólogo a decisão de aplicar uma quantia maior ou menor de testes, influindo nisso a relação predominante entre ambos. O melhor seria que a extensão da bateria e o número de entrevistas iniciais e finais se mantenham constantes, supondo a possibilidade por parte do psicólogo de aceitar um determinado limite para si mesmo e colocar também um limite para o cliente. Se o vínculo for predominantemente negativo, pode haver o prolongamento do processo terapêutico. Se reduzir demais haverá, um déficit de informação, independente de qual for o material de testes utilizados. (Idem, ibidem).

            A capacitação do profissional desta área deve passar pela melhor forma possível de identificação de quais são os instrumentos mais eficientes para si mesmo. Os testes psicométricos e os projetivos são pressupostos fundamentais, não só para uma diferenciação de didática, mas principalmente para a escolha do instrumento psicológico que seja congruentemente lógico aos objetivos desejados. Enquanto os testes psicométricos estão baseados em critérios observáveis, concretos e objetivos, para mensurar determinado constructo e avaliar aptidões; os projetivos são firmados em aspectos mais subjetivos, dinâmicos e que não são observáveis. (PASQUALI, 2001).

            Os testes gráficos são os testes psicológicos em que mais são apropriados para o início de um exame psicológico por refletir aspectos estáveis da personalidade e mais difíceis de serem modificados. Salvo às exceções a pessoas que apresentam transtornos orgânicos sérios, alterações graves do esquema corporal ou dificuldades de usar as suas mãos. É necessário, para planejar uma bateria, configurar testes que captam grande número possível de condutas verbais, gráficas e lúdicas, possibilitando a comparação de uma mesma forma de conduta causada por diversos estímulos ou instrumentos e variados tipos de conduta entre si, sendo algo de suma importância:

 

 

[...] discriminar a sequência em que serão aplicados os testes escolhidos. Ela deve ser estabelecida em função de dois fatores: a natureza do teste e a do caso em questão. O teste que mobiliza uma conduta que corresponde ao sintoma nunca deve ser aplicado primeiro (um teste verbal a um gago, ou um teste de inteligência a uma pessoa que consulta por causa de dificuldades intelectuais, ou um desiderativo a um depressivo, esquizofrênico, moribundo ou velho, para quem a vivência de morte é algo tão presente). Utilizar estes testes em primeiro lugar supõe colocar o paciente na situação mais ansiógena ou deficitária sem o prévio estabelecimento de uma relação adequada. (OCAMPO & ARZENO, 2001. p. 55).

           

 

            Incidir o contrário do recomendado acima significa equivocar-se, viciando todo o processo do psicodiagnóstico e transferindo uma entonação persecutória, incidindo pelo impedimento de manifestarem-se os aspectos adaptativos. Por estes motivos, os testes mais ansiógenos são recomendados para realização somente nas últimas entrevistas. Os testes mais apropriados para o início, tal como os testes gráficos, permitem que o cliente sinta-se mais aliviado, por abarcarem questões mais dissociadas e menos sentidas. Isso deixa o cliente mais aliviado, modifica suas fantasias com que chegou a respeito da avaliação, permitindo o desenvolvimento de um bom rapport com o psicólogo.  (Idem, ibidem).

            O diagnóstico psicológico pode ser utilizado, segundo Cunha (2000[c]), de diversas maneiras: A) pelo psicólogo, pelo psiquiatra (e, em alguns casos, pelo neurologista ou psicanalista), na identificação de patologias e voltado ao tratamento médico (sem uso de testes e técnicas privativas da psicologia); B) pelo psicólogo clínico, para a realização de testes e técnicas privativas do profissional de psicologia (psicodiagnóstico); C) por uma equipe multiprofissional (psicólogo, psiquiatra, neurologista, orientador educacional, assistente social, etc.), em que desempenham seu trabalho em conjunto, possibilitando uma melhor interação profissional.

            Contanto, durante o momento da hora do jogo diagnóstica, o papel do psicólogo é um papel passivo, já que é observador, e ativo, na medida em que sua atitude atenta e abre-se à atenção flutuante, permitindo a análise e compreensão na formulação de hipóteses sobre a problemática do caso. É inegável, a influência do advento da Psicanálise no desenvolvimento do psicodiagnóstico e da própria psicologia moderna em si. (OCAMPO & ARZENO, 2001).

            A entrevista inicial, na Psicanálise, procede por: o tipo de encaminhamento que o cliente trouxe e o contato inicial com o mesmo; a aparência exterior, como ele está vestido e se manifesta algum comportamento visível, tal como movimentação motora e forma de andar; a realidade exterior, suas condições socioeconômicas, seu entorno na família, trabalho e metas de vida; o histórico familiar, se há casos de internação na família, suicídio, alcoolismo; o grau de motivação, se ele está disposto a enfrentar jornadas onerosas e difíceis; o estilo das suas relações objetais reais, se há compulsividade de repetir as mesmas configurações vinculares; e a forma como se comunica, verbal ou não. (ZIMERMAN, 1999).

            Analisando o Caso Clínico citado a partir da ótica psicanalítica, observa-se que a doença do filho de A. – asmas e alergias – foi uma doença psicossomática, resultante dos problemas que a família já vem enfrentando. Também percebe-se que A. projetava características de seu Pai em seu Marido. Assim como também, percebe-se que o Superego de A. era muito bem rígido, duro. A. cobrava-se muito, principalmente a respeito de buscar, ou tentar, agradar todas as pessoas, fazendo tudo o que lhe pedem. Como consequência, A. havia muitos sentimentos de culpa, medo, baixa auto-estima e impotência. Como diz Zimerman (1999):

 

 

[...] sob a forma de culpas, auto-acusações, busca inconsciente por punições, desvalia e baixa auto-estima, rigidez obsessiva, quadros melancólicos, etc., sendo que os pensamentos prevalentes são os de culpa e medo. Trata-se, portanto, de uma instância que pode atingir uma condição essencialmente punitiva, muitas vezes com características extremas de perseguição e crueldade. (ZIMERMAN, 1999. p. 285).

 

 

            Esses fatores contribuíram, posteriormente, para o desenvolvimento de episódios de depressão e traços de ansiedade generalizada. Episódios de Depressão trazem o rebaixamento do humor, a diminuição da atividade e a redução da energia. Assim, também ocorre uma mudança na capacidade de experimentar o prazer, diminuição da capacidade de concentração, perda de interesse, isso tudo frequentemente estão associados ao cansaço acentuado.  Também, deve-se lembrar que geralmente ocorrem também problemas no sono e diminuição da alimentação (apetite), aliados comumente a uma diminuição da auto-estima, da confiança em si próprio e é tomado por ideias de culpa. (CID-10, 2011).

            Ainda conforme o CID-10 (idem), o humor decorrente da depressão difere de momentos para momentos, dias ou segundos, o qual pode estar acompanhado de sintomas somáticos: agitação, perda de libido, apetite e de interesse e prazer. Os sintomas geralmente passam por um conjunto específico de comportamentos, diferenciáveis de outras neuroses (insônia ou hipersonia, falta ou aumento de apetite, desanimo, apatia, falta de concentração).

            Já a ansiedade generalizada trata-se de uma preocupação excessiva, que pode ser relativo a diversos acontecimentos ou fatos cotidianos, que perduram por mais de seis meses, apresentando sintomatologia cognitiva, fisiológica e motora. O indivíduo comumente sente tensão dos músculos, irritação, cansaço, alterações do sono, comportamentos de evitação e palpitação. Os sinais são a distorção cognitiva relacionada à supervalorização da ocorrência de um acontecimento receado ou a respeito da sua severidade, e a valorização de confronto ou briga e a recusa de ser ajudado. (DSM-IV, 2002).

            De acordo com a Terapia Familiar Sistêmica, a missão familiar de A. era assumir todas as responsabilidades às quais lhe eram designadas. A. encontrava-se inserida em um macrossistema onde a comunidade, a cultura e a religião estavam, não somente presente, mas em foco de suas relações macrossistêmicas. O ambiente do microssistema de A. estava, em maior parte, voltado ao trabalho: cuidar dos irmãos, fazer o que seus pais lhe diziam, buscar agradar as pessoas, cuidar e preocupar-se com sua mãe. Essas questões entraram choque, trazendo traços ansiosos em relação ao seu sistema familiar.

            Além do mais, a posição do Marido de A. no sistema familiar, foi tomado pela sua Mãe: A. vivia em função da Mãe, em decorrência de sua preocupação exagerada com a mesma. A. estava em uma relação fusionada com sua Mãe. Observa-se que no sistema da família de A. havia uma persistência – muito comum nas famílias que estão em terapia – de manter a Homeostase, em não mudar quanto aos problemas enfrentados dentro do sistema e até mesmo no Holon conjugal e no Holon fraternal.

            O foco do Terapeuta Sistêmico é interpretar qual é o papel familiar de A., fazendo ela perceber que não é responsável por tudo e por todos. Esta é uma família extremamente Psicossomática e Três gerações, pela relação íntima em que havia com a Mãe, mesmo não residindo juntas.

Nas concepções da Fenomenologia, as relações de A. há uma enorme falta de tele, criatividade e espontaneidade. Nota-se que A. ainda se encontrava no desenvolvimento no Cluster materno, ainda. Onde a relação dela com a Mãe permanece indiferenciável. Interessante, também, mencionar a questão do Encontro moreniano:

 

 

“Um encontro entre dois: olho no olho, cara a cara. E quando estiveres próximo tomarei teus olhos e os colocarei no lugar dos meus, e tu tomarás meus olhos e os colocarás no lugar dos teus, então te olharei com teus olhos e tu me olharás com os meus.”  (GONÇALVES,WOLLF e ALMEIDA 1988, p.53 ).

 

 

            Observa-se também, que há diversos traços de conserva cultural presentes dentro das relações de A. à sua volta e nela mesma. Existem muitos traços em que apontam que A. ainda se encontra no Primeiro Universo de Matriz de Identidade, pelo fato de ela estar muito confusa.

            Baseando-se em Cognitivo-comportamental, as Crenças Centrais de A. era a respeito da incapacidade, impotência. Quando o telefone da casa de A. toca, seu pensamento já processa como sendo algo ruim e, como consequência desse pensamento, fica inquieta, preocupada, com sua Mãe e/ou com seus Filhos. Seu próprio pensamento automático fica acionando que a cada momento pode ocorrer algo ruim. A Crença-Regra de A. é que ela tem que ajudar – fazer o que os outros pedem. Algo que, per se, é decorrente de construções e conservas culturais.

            Em decorrência de aprimoramentos nos modos de compreender a psicoterapia e a saúde mental, no desenvolvimento das abordagens de psicologia, cremos que este semestre tem permitido uma maior compreensão e entendimento dos referenciais teóricos, das práticas e técnicas relativas às disciplinas, na construção acadêmica como um todo, em nosso conhecimento e aprendizagem em psicologia.

 

 

Referências Bibliográficas:

 

ANASTASI, A; & URBINA, S. Natureza e Uso dos Testes Psicológicos. In: ________. Testagem Psicológica. 7ª Ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

BOCK, A. M. B; FURTADO, O; & TEIXEIRA, M. de L. T. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. São Paulo: Saraiva, 1999.

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Avaliação Psicológica: diretrizes na regulamentação da profissão. Brasília: DF, 2010.

CID-10, Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (Organização Mundial da Saúde). 10ª Ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2011.

CUNHA, J. A; FREITAS, N. K; RAYMUNDO, M. G. B. Psicodiagnóstico-R. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993[a].

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CUNHA, J. A. Fundamentos do Psicodiagnóstico (Cap. 2). In: ___________. Psicodiagnóstico-V. 5ª Ed. Porto Alegre, Artmed, 2000[c].

DSM-IV, Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders). 4. Ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2002.

GOMES, W. Avaliação Psicológica no Brasil: tests de Medeiros e Albuquerque. In: Revista “Avaliação Psicológica”. Porto Alegre: v. 3, n. 1, 2004.

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OCAMPO, M. L. S. de; & ARZENO, M. E. G. O Processo Psicodiagnóstico. In: OCAMPO, M. L. S. de. O Processo Psicodiagnóstico e as Técnicas Projetivas. Miriam Felzenszwalb (Trad.). 10ª Ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

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PASQUALI, L. Técnicas de Exame Psicológico (TEP: Fundamentos das Técnicas de Exame Psicológico). Vol. 1. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2001.

ZIMERMAN, D. E. A Psicanálise Contemporânea (Cap. 4). In: __________. Fundamentos Psicanalíticos: teroria, técnica e clínica, uma abordagem didática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1999.

WERLANG, B. G. et al. Avaliação Psicológica, Testes e Possibilidades de Uso. In: CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Avaliação Psicológica: diretrizes na regulamentação da profissão. 1ª Ed. Brasília: CFP, 2010.

GONÇALVES, Camila Salles. Lições de Psicodrama: introdução ao pensamento de J.L. Moreno. São Paulo: Ágora,1988.


(Artigo elaborado em 2012, UNOCHAPECÓ, São Lourenço do Oeste).

Análise Institucional, Intervenção Psicológica e Instituições

19/06/2012 20:27

Conceito de Instituição:

 

            O conceito de Instituição está presente em vários campos, como por exemplo, na sociologia, na antropologia, nas ciências políticas e na filosofia. De acordo com Baremblitt, as instituições são ‘árvores de composições lógicas’ que, a partir do formato e do nível de formalização que adotam, podem ser leis, normas e, quando não enunciadas em sentido manifesto, também pautas, em regular os comportamentos (BAREMBLITT, 1992, p. 27).

             Neste sentido, as instituições seriam jurisdições de saber, onde possibilitaria reconstituir as relações sociais, organizar espaços e recortar limites. A partir do momento em que há uma prevalência do instituído, as instituições e seus estabelecimentos capturam os processos de subjetivação singulares, impondo-lhes seu próprio modelo.

             Já, quando emergem as forças instituintes, há a possibilidade de produzir novos agenciamentos, novas composições e arranjos próprios de subjetividades livres e desejantes. Para que o desejo possa servir à espécie humana e ao esforço civilizatório, ele precisa ser institucionalizado – ir contra o estado de desamparo à condição humana.

             A Instituição degrada-se quando sua estrutura põe-se a serviço, não do desejo, mas de privilégios, antiproduções e iniqüidades, assim, perdendo seu sentido original e transformando-se num instrumento destruidor de liberdades democráticas. A instituição desvirtuada de seu propósito trabalhará para o avesso da liberdade: a servidão. A imposição unilateral de normas rígidas pode sacrificar, em nome de uma identidade narcisista, a própria razão de ser comunitária – que são as pessoas com seus desejos.

             Ademais, o desejo é visto como potência de transformação. Entende-se que o inconsciente é posto a se mover por uma força desejante que o coloca em constante movimento e mutação. Como fala Deleuze e Guattari (1996), “A questão não é nunca reduzir o inconsciente, interpretá-lo ou fazê-lo significar. A questão é produzir inconsciente e, com ele, novos enunciados, outros desejos: o rizoma é esta produção de inconsciente mesmo” (DELEUZE & GUATTARI, p. 28).

             Assim, o movimento dialético entre instituído e instituinte e, também, com a institucionalização, contribui para que ele seja uma realidade inacabada e em construção, numa relação de forças permanentes, que comportam tanto o poder como as singularidades de resistência e produção de novos sentidos. À beira do espaço instituído, debate-se o espaço instituinte, o qual, este último, é imprevisível e inexato.

 

Movimento Institucionalista:

 

            O Movimento Institucionalista abrange um conjunto de teorias e práticas que tem por objetivo em comum a produção de rupturas nas instituições sociais, a partir do processo instituinte. Como consequência, criando novas instituições e maneiras de organização social, que se constituem em proposições permanentes, com dispositivos inéditos, fluídicos e desenquadrados, visando, através da sua operação, a autogestão das organizações.

             Outro aspecto, dentro do Movimento Institucionalista, é dar espaço de expressão aos movimentos sociais reprimidos ou desconsiderados na sociedade, tais como as mulheres, os negros, os gays, os nativos e as pessoas em situações de vulnerabilidade e/ou pobreza. Todavia, o movimento instituinte é uma contraposição ao que está instituído – a instituição, desenvolvendo então, o processo de institucionalização. Este é o movimento dialético que surge na instituição.

 

Intervenção Psicológica Conforme a Análise Institucional:

 

            Os principais conceitos que servem como ferramentas de intervenção nas ações coletivas são a reconceituação de grupo e de instituição, a análise das demandas, os analisadores históricos ou construídos e a análise da transversalidade e das implicações. Por grupo entende-se como o conjunto de pessoas organizadas pelos processos que se constituem entre elas e a partir delas no exercício permanente de buscar sentido para o desdobramento das ações e para o significado de si próprio.

            As instituições não são compreendidas como estabelecimentos ou estruturas organizacionais, mas se constituem em práticas sócio-historicamente produzidas, trazendo, assim, a dimensão dos valores, das tradições, da referência das ações que no cotidiano são naturalizados e tomados como verdades absolutas, universalizados. O sentido de cotidiano, para a Análise Institucional, está implicado com a dimensão das mudanças.

            No entanto, a vida cotidiana, onde as práticas são tecidas, não pode ser considerada como uma totalidade fechada em si mesma e nem desenvolvida através de relações de determinação linear com a globalidade hegemônica e com os valores dominantes. Antes que ganhe consistência, é fundamental que pela análise coletiva, seja intensificado, aglutinando as ações fragmentárias e descontínuas, imprimindo novos sentidos à realidade.

             É importante a construção de um campo de análise institucional, ou seja, a organização de conhecimentos históricos, políticos e conjunturais acerca do campo de intervenção no qual buscamos desenvolver um processo de investigação. A partir do estabelecimento coletivo de um projeto de trabalho, a pesquisa-intervenção tem início através de dispositivos mobilizadores.

              Durante todo o processo é fundamental uma participação ativa da comunidade implicada na análise da micropolítica ali produzida, explicitada nos seus movimentos, problemáticas, formas de ação e processos sociais. O campo de intervenção se constitui como tal no momento em que as experiências locais são possíveis de serem analisadas por parte da contextualização sócio-histórico-política.

              A análise das implicações busca dar visibilidade às relações dos participantes, incluindo o próprio grupo de analistas, com as instituições que se atualizam na intervenção. Desenvolve-se na perspectiva de transversalizar as análises, de iluminar as instituições atravessadas nas práticas enquanto uma superação do limite da análise da verticalidade: relações sociais institucionalizadas e funcionais, e da análise da horizontalidade: relações imediatas, informais e nos diferentes estratos.

            O Movimento da Análise Institucional tem como proposição estabelecer um processo autogestacional, entendendo que autonomia é um exercício permanente de análise e compreensão das condições em que se realiza a ação e, desta maneira, dos seus limites e possibilidades. A pesquisa-intervenção  traz como proposta criar dispositivos de análise dos grupos na sua diversidade qualitativa, focando-se nas rupturas que as ações individuais e coletivas exprimem no cotidiano.

 

 

Referências Bibliográficas:

 

PAULON, Simone M. Instituição e Intervenção Institucional: percurso conceitual e percalços metodológicos. In: Mnemosine. Brasil: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, v. 5, n. 2, 2009, p. 189-226.

 

 

(Artigo elaborado em 2012, UNOCHAPECÓ, São Lourenço do Oeste).

Resumo de "A Intervenção das Massas: a psicologia entre o controle e a resistência"

19/06/2012 20:20

BARROS, Regina D. B. De; JOSEPHSON, Silvia C. A Intervenção das Massas: a psicologia entre o controle e a resistência. In: JACÓ-VILELA, Ana M.; FERREIRA, Arthur A. L.; PORTUGAL, Francisco T. História da Psicologia: rumos e percursos. Rio de Janeiro: Nau Ed., 2007.

 

 

         A junção de forças que investem no desaparecimento das diferenças sociais influenciou a emergência do Estado moderno, onde todos os indivíduos devem ser vistos como iguais e com as mesmas possibilidades de desenvolver-se, em igualdade. Essa igualdade de direitos é uma exigência de se expressar individualmente, seus desejos e anseios.

         O indivíduo é resultante da oposição e união do exercício de um poder que se executa, como estímulo a uma maneira de vida que individualiza o que diz respeito à experiência subjetiva da atualidade, fundada nas condições de constituição de um ‘modo-padrão’ de viver as relações. Os valores individuais complementam-se com a espontaneidade e a diversidade dos indivíduos, fortalecendo a noção, cada vez mais dominante, da individualidade da experiência humana.

         A sociedade, compreendida como a totalidade dos indivíduos, constituiria um conjunto que deveria funcionar para tornar viáveis os interesses individuais. Esta forma de funcionamento é associável ao que está presente no sistema fabril, ligado ao capitalismo, que está instaurado na divisão do trabalho, cujo o fundamento era que a produção não parasse e, para isso, era indispensável que cada trabalhador fizesse sua parte, assim, o produto estaria pronto, acabado.

         Na pretenção de dar uma explicação para o movimento de massas, as teorias da hipnose, da sugestão, do contágio, foram então, muito empregadas na Europa com as grandes revoluções. Também, foram criadas certas disciplinas para dar conta da aglomeração das cidades europeias, tais como a medicina social, o higienismo, a sociologia e a estatística, que tinham os centros urbanos como objeto de pensamento, intervenção e controle.

         Tarde (1893), em “As Multidões e as Seitas Criminosas”, estabelece diferenças entre as formas de agrupamentos sociais: os transeuntes de uma rua ou os camponeses em uma feira, por exemplo, estariam agrupados fisicamente, mas não socialmente. As pessoas, devido às suas semelhanças de origem social têm a potência para associar-se, conforme a situação, ocorrendo então, um agrupamento social. A partir daí, segundo ele, nasce a multidão, que poderá até se construir em uma corporação, se caso manter organizado.

         De acordo com Tarde (1893), não apenas os poderes judiciário e policial deveriam se encarregar do controle dos indivíduos, mas também teria que ser criada uma rede de vigilância e correção, encarnada nas instituições psicológicas, psiquiátricas, pedagógicas e médicas. Para Tarde, quando uma opinião se propaga, ela produz um efeito de similitude de pensamento, o que faz com que a opinião deixe de ser uma realidade individual e se torne um fato coletivo.

         O Século XIX esteve marcado pelos movimentos de massa e isso significou uma mudança na correlação de forças até então. Nesta perspectiva, pode-se observar que se mantém dominante o mesmo modo de subjetivação já instaurado. Isto é, o modo de subjetivação individual.  Assim, as massas são tomadas como um conjunto de indivíduos que apresentam certas características semelhantes entre si, quando reunidos.

         Para Le Bon (1954), em “Psicologia da Multidão”, quando o indivíduo está imerso na multidão, ele perde o seu autocontrole, atua de modo impulsivo, irracional e, até mesmo, de modo 'bestial'. Contanto, forma-se uma mente coletiva que se apossa de cada indivíduo, produzindo a incapacidade para raciocinar, deixando-o ausente do espírito crítico e do discernimento, criando o sentimento de poder absoluto e a perda da noção de responsabilidade.

         A Psicologia Social, estaria, segundo Freud, em seus passos iniciais e teria um grande número de problemas para resolver, entre eles, seria explicar o fato surpreendente de que, sob determinadas condições, tal como estar em meio à uma multidão, os homens se comportam de forma totalmente diferente da sua forma usual e rotineira. Freud argumenta que, se os indivíduos na massa encontram fundidos em uma unidade, deve haver alguma coisa que os une, e essa coisa seria precisamente aquilo que caracteriza as massas.

         Freud explica o funcionamento das multidões como aquilo que liga seus componentes entre si e faz com que elas sejam exatamente multidões: cada indivíduo projeta sobre os outros e sobre o líder a idealização do que cada ego individual estruturou para si mesmo.

         Já Reich (1897-1957) diz que é preciso liberar a energia libidinal e, por isso, concentra seus estudos sobre família autoritária e patriarcal, considerada como o lugar primário de repressão e do conservadorismo, como também de 'correia' de transmissão entre a estrutura econômica burguesa e sua superestrutura ideológica.

         Reich buscou articular a libido, o desejo individual, com a política, procurando demonstrar que os instintos humanos são formas aptas a receberem conteúdos sociais e se estruturam principalmente pelas relações com os pais e professores, adquirindo um carácter definitivo.

         Enquanto isso, Canetti (1983), em “Massa e Poder”, fala que o homem se insere na massa para escapar do medo do desconhecido ou diferente. Neste sentido, as massas só existem a partir da ‘descarga’, – o memento, o qual os indivíduos se desfazem de suas diferenças. Canetti cita quatro caracteres da massa: ela sempre quer crescer; em seu interior reina a igualdade; ela adora a densidade; ela necessita de uma direção.

         Para Deleuze (1925-1995) e Guattari (1930-1992), com base no texto “1933 – Micropolítica e Segmentaridade”, tanto a sociedade quanto o indivíduo são atravessados ao mesmo tempo por duas ordens de organização do socius: uma molar e outra molecular, onde a noção de simultaneidade ou coexistência apontaria que tudo é macro e micropolítica ao mesmo tempo.

         Com base neste pensamento, uma organização molar onde haveria predominância das formas já instituídas e superestabilizadas, existiria ao mesmo tempo segmentações ‘finas’ e afetos inconscientes que operam em nível molecular. Por exemplo, as classes sociais e/ou dos sexos, o que pode-se notar é que, além das divisões visíveis de inclusão, introduzem-se agenciamentos moleculares, invisíveis. 

         Assim, segundo esses autores, Marx e Engels, descreveram a organização e a exploração das classes, – o que estaria associado ao segmento do tipo molar. No livro “O Capital”, Marx teoriza que o capitalismo só pode sustentar produzindo de maneira contínua a essência subjetiva da ‘riqueza abstrata’, onde a produção, por um vértice, torna-se um fim nela mesma e, por outro vértice, opera como um objetivo limitável – como produção para o capital.



(Resumo elaborado em 2012, UNOCHAPECÓ, São Lourenço do Oeste).

Resenha de "Sentidos sobre a Prática Grupal no Contexto da Saúde Pública"

19/06/2012 20:15

RASERA, Emerson F; & ROCHA, Rita M. G. Sentidos Sobre a Prática Grupal no Contexto da Saúde Pública. In: Revista “Psicologia em Estudo”. Maringá: v. 15, n. 1, 2010. p. 35-44.

 

Objetivo

 

            Teve por objetivo descrever os sentidos das práticas grupais identificados em entrevista com psicólogos que atuam no âmbito da saúde pública da cidade de Uberlândia – Minas Gerais.

 

Fundamentação Teórica

 

            A análise está baseada na perspectiva do construcionismo social, o qual permitiu identificar repertórios interpretativos: grupo como espaço coletivo, como alternativa para a demanda, como proposta mediadora e como estranhamento.

 

Metodologia

 

            A utilização de repertórios na entrevista de pesquisa de dados.

 

Resultados Esperados

 

            Os mesmos têm possibilitado legitimar a prática grupal de diversos modos, no entanto, a predominância de um viés clínico-individualista na fala dos entrevistados sobre as práticas grupais dificultou uma descrição voltada às equipes e comunidades e sensível ao nível de atenção em saúde.

 

Considerações Finais

 

            Nesta perspectiva, prevalece à necessidade de novas construções sobre o dizer e/ou o fazer das práticas grupais na saúde brasileira.

 

Resenha do Texto

 

            Na atualidade, a atuação do psicólogo requer uma abrangência maior e em contextos mais amplos, dentro de um compromisso com a sociedade por uma ciência a serviço de seus interesses. Estudos realizados, desde a década de 80 (Benevides, 2005; Dimenstein, 2000; Silva, 1992; Spink, Bernardes & Menegon, 2006), demonstram as dificuldades de inserção encontradas no âmbito da saúde pública, principalmente em relação ao seu despreparo profissional, falta de discussões e estágios a respeito da graduação e a preponderância da prática clínica e descontextualizada.

            A atuação do psicólogo no âmbito da saúde pública, em um estudo recente realizado em uma cidade de Minas Gerais (Goya & Rasera, 2007), também aponta a escassez de formação dos profissionais no âmbito do serviço público, com um discurso simplificado e estereotipado sobre saúde, apresentando desconhecimento dos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), ausente de atividades relativas à promoção da saúde e prevenção e também uma dicotomia entre saúde e saúde mental, dificultando o trabalho em equipe multiprofissional.

            Neste sentido, foi possível torna-la concreta uma tentativa de produzir uma nova forma de atuação na saúde pública de acordo com as necessidades da população daquela região, através da utilização das práticas grupais. As práticas grupais estão em sincronia com a proposta do SUS, de acordo com seus princípios de universalidade do acesso, integridade da atenção e controle social, possibilitando contribuir com a democratização do acesso a saúde no Brasil e permitindo a participação da sociedade em atenção integral conforme suas necessidades.

            Outras maneiras de atuação em práticas grupais também vêm crescendo, tais como a Psicologia Social Comunitária, a qual aborda a relevância da atuação psicossocial e as relações de poder do dia-a-dia, onde o grupo atua de modo propício para que essas relações sejam percebidas por seus membros. Em estudos de Molena (1999) sobre as práticas grupais no âmbito da saúde pública, os profissionais entrevistados demonstraram carência de familiaridade com as técnicas grupais e o papel do coordenador e também dificuldades em se vincular em contextos antes não ocupados e não promovendo discussões acerca.

            Souza (1999) também reconhece a utilização das práticas grupais como maneira de intervenção em instituições públicas, porém, entende que estas vêm aliadas ao descaso a respeito da forma com que o trabalho é realizado e ao estranhamento do profissional quanto a seu papel de coordenador. Lancetti (1993) descreve os problemas que envolvem os grupos com tarefas manuais, com relação às oficinas, onde devem considerar a atuação além do ‘fazer uma tarefa’ e da reintegração social, enfatizando os desdobramentos ocasionados na prática dessa tarefa e a produção subjetiva consequente.

            No entanto, ainda existe a dificuldade de implantação do atendimento grupal no âmbito da saúde pública, conforme suas precisões. De acordo com alguns dados de levantamento (Spink, Bernardes & Menegon, 2006) com 346 psicólogos do Brasil, 10,4% dos mesmos entrevistados alegam realizar atendimento em grupo e 3,3% em oficinas. Os percentuais citados são inferiores quando comparados ao do atendimento individual que chegam a 42,1%. Dentre os questionamentos está um referente uma ‘cultura psicológica’, universalmente atribuidora, a qualquer grupo e/ou contexto, de uma linguagem intimista ou interrogativa, estabelecida como tarefa do psicólogo como trabalhador na saúde mental.

            Generalizando, foi possível, por meio dos repertórios identificados, legitimar as práticas grupais de diversas formas, pois ela tem tanto a potencialidade de produzir coletivamente efeitos benéficos aos participantes quanto responder às necessidades de atendimento do serviço, como ainda se constituir como um complemento do tratamento. Em contraposição, o viés clínico-individual utilizado por maior parte dos profissionais psicólogos e sustentado por discursos da psicoterapia individual, se faz presente na constituição de grande parte dos repertórios da pesquisa.

            Não obstante, os repertórios na entrevista de pesquisa não levam em consideração no seu sentido prático o uso de técnicas e práticas que estejam baseadas na coletividade, nas organizações, equipes, comunidades, em terapia de grupo. De acordo com esses repertórios, foi possível observar que maior parte dos profissionais de psicologia não tem foco no fazer profissional em terapia de práticas grupais, como uma das maneiras de intervenção voltadas ao cuidado do sujeito. Também possibilitou observar que os discursos dos profissionais não havia diferenciação alguma em relação às conformidades contextuais em que estão inseridos, institucionalmente.

            Com isso, exprime uma conotação da descrição do grupo como sendo uma práxis de sentido genérico, com base em um método abstrato. Isso demonstra que as falas dos profissionais eram compartilhadas de acordo com objetivos específicos nos repertórios, isentos de estar determinados e/ou inseridos a partir do tipo do trabalho profissional que se realiza dentro da instituição onde o psicólogo atua. Assim, torna-se necessário analisar e repensar o quão é importante, não somente a formação profissional (como citado pelos autores), mas também e principalmente a qualificação dessa formação que se desenvolve durante a graduação de psicologia.

            Contudo, em conformidade com as ideias dos autores citados, deve-se haver uma maior sensibilização em relação ao contexto da utilização de intervenções em práticas grupais, buscando se mobilizar por uma análise crítica e problematizadora, facilitando e ampliando à maneira que nos permite a construção das práticas em si mesmas, criando em sentido coletivo espaços para articular, produzir e intervir por meio de novas formas de pensar e agir frente ao fazer científico das práticas grupais e seu desenvolvimento no cenário brasileiro da saúde mental.

 

 

(Resenha elaborada em 2012, UNOCHAPECÓ, São Lourenço do Oeste).

Síntese Articulada entre o Filme "Uma Lição de Amor", o texto "A Voz da Criança Abrigada" e as Resoluções CFP nº 10/2010 e nº 08/2010

19/06/2012 20:03

-NELSON, Jessie. Filme: “Uma Lição de Amor” (I Am Sam). Estados Unidos da América: PlayArte (New Line Cinema), 2001. 1DVD (ca. 134min), son., calor. Produzido por Richard Solomon.

-ROSSETTI-FERREIRA, SOLON & ALMEIDA. “A Voz da Criança Abrigada: a delicada arte da conversa e da escuta”. Brasília: Conselho Federal de Psicologia, 2010.

-E as Resolução CFP n° 10/2010 e Resolução CFP n° 08/2010 (do Código de Ética Profissional do Psicólogo).

 

 

            O filme, “Uma Lição de Amor”, aborda problemas e dificuldades de um homem (Sam) frente à luta em manter sua filha (Lucy) morando junto consigo, no desempenhar do papel paterno, sabendo que o mesmo era portador de deficiências mentais. Neste sentido, houve o fator de separação entre Sam e Lucy, onde esta última foi enviada a um orfanato para doação, de acordo com uma ordem judicial.

            Com isso, o texto, “A Voz da Criança Abrigada: a delicada arte da conversa e da escuta”, enfatiza um tanto do quanto a questão do abrigamento de crianças e adolescentes pode contribuir para um período de crise, levando a criança ou o adolescente refletir sobre algumas perguntas: “Quem sou eu? Donde venho? A que família e a que grupo pertenço? Qual minha história de vida? O que será de mim no futuro?”.

            Todavia, no decorrer do tempo essas perguntas, na busca e constituição de sua própria identidade, tornam-se mais intensas e acentuadas, principalmente em momentos de mudança e crise. Isso é bem explicitado no filme, principalmente quando Lucy estuda na companhia de seu pai, embora essas perguntas faziam-se presente em diversos contextos e momentos do mesmo.

            No filme, quando Lucy é interrogada em um processo judicial foi disposta solitária e em uma sala espelhada frente ao Juiz, Promotor, Psicólogo, etc., sem acompanhamento algum, privando de qualquer apoio ou auxílio psicológico e, ainda mais agravante, em momento algum ela foi ouvida para saber o que pensava ou sentia, em particular, a priori daquela situação. Sua narração se limitou à tão somente em responder perguntas redigidas por um Profissional de psicologia a pedido do Juiz.

            O texto trás que é através da interação com o social que a criança e/ou adolescente constrói sua identidade e se constitui como ser humano, aprende e obtêm experiências com base nos significados construídos, diante de sua capacidade de compreensão da sua convivência e história de vida e seus interesses nos mais variados momentos do seu desenvolvimento.

            Ainda segundo o texto referido, as crianças e/ou adolescentes nestas situações são pouco ouvidos. Generalizando, estes não têm espaço algum para se expressar suas angústias pessoais e transtornos ambientais, enquanto seres que também necessitam de um amparo e cuidado psicológico enfaticamente nesses casos. Assim como também a história de vida de cada sujeito que está nessas condições é pouco falada ou comentada.

            Esses sujeitos passam de família biológica para abrigo, deste ao retorno em sua família de origem ou para uma família responsável, e ainda desta última para uma subsequente até chegar a uma família definitiva, de adoção. Ou seja, essas crianças e/ou adolescentes são circuladas de ambiente para outro, às próprias decisões dos adultos, sem ao mínimo conhecer as perspectivas e percepções que os mesmos detêm sobre si mesmo diante dos acontecimentos ocorrentes. Situação essa também presente no filme.

            A Resolução CFP n° 10/2010, é que institui a escuta psicológica de crianças e adolescentes em rede de proteção e em situação de violência, como também a ética profissional referente ao exercício profissional da escuta psicológica, a qual segue determinados critérios para tal. Ademais, como descrito no Artigo 4º da Resolução CFP n° 08/2010, a realização da perícia necessita de um espaço físico próprio que considere tanto a privacidade do sujeito, quanto a qualidade dos recursos psicológicos.

            O processo de escuta, ao contrário do que trouxe o filme, deve ser aberto e flexível, assim, tornando-se possível ouvir e acolher diferentes maneiras – a multiplicidade – de linguagem e de narrativas da criança e/ou adolescente, não limitando-se apenas à uma forma ou um modo de expressão, e favorecendo a construção de relações sociais afetivas e dentro de um ambiente propício ao seu desenvolvimento contínuo.

            Entretanto, também a Resolução CFP n° 08/2010, mais especificamente o Artigo 3º, fala que de acordo com as particularidades de cada caso o trabalho do perito poderá incluir observação, entrevista, visita domiciliar e institucional, uso de testes psicológicos, utilização de práticas lúdicas e outros métodos e técnicas reconhecidas pelo Conselho Federal de Psicologia, pois os peritos não podem se basear somente no trabalho em avaliar e tentar enquadrar em um padrão já determinado, isso é totalmente equivocado.

            Pois, eu me pergunto, então: como fica o pensamento de uma criança quando ocorre uma questão de separação, em casos que a mesma é retirada de sua família, levada a um abrigo para doação, ou deixada sob a guarda de uma família responsável, e mais tarde retirada deste novo contexto para a definitiva doação, levando em conta a desconsideração ocorrida geralmente a respeito das diversas redes de relações sociais desenvolvidas pela criança em ambos os espaços? E mais: e a partir do momento em que a criança se vê sozinha nesse processo de “vai e vem” e/ou de interrogações, sem ao menos um apoio psicológico, sem ter com quem contar, obter ajuda ou auxílio nestas situações?

            Preocupante isso, pois, as crianças e adolescentes nessas condições, tal como o filme abordou assim como o texto também enfatizou, devem ter mais chances e possibilidades de encontrar apoio, afeto, diálogo e serem ouvidas, em todo o momento em que os mesmos passam por dificuldades, mudanças ou crise, bem como principalmente em casos de separação de sua família de origem, deve-se promover e proporcionar a inclusão e participação dos mesmos na sociedade como um todo, dispondo às suas necessidades o trabalho psicológico, em auxiliar e acolher, de modo a não se sentirem, ao menos, sozinhos no processo.

            Assim, lembrando-se de uma fala de Lucy, em que ela afirma: “Tudo o que eu preciso é amor!”.

 

 

(Síntese elaborada em 2012, UNOCHAPECÓ, São Lourenço do Oeste).

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